Contraprova
O tédio de existir, e a ânsia de viver
O que liga um personagem à existência do universo?
Porque tudo parece desconexo: viver não necessariamente conflui em existir nos olhares do infinito, assim como raramente existir depende de forma intrínseca de realmente viver.
Faço esse questionamento ao perceber que não importa o quanto de mim seja autenticamente meu, viver soa como trabalhar e descansar; logo existir não é viver, porque vivo como muitos outros, então pouco existo. Ao mesmo tempo, carrego comigo muitos desejos peculiares; muitos sonhos milimetricamente construídos mas nunca impostos à realidade; muitos aprendizados que aqui e ali, em eventos aleatórios e esparsos do viver, fazem o dia de alguém um diferir dos raios do amanhecer. Mas o que dias pontuais no calendário longamente geológico da vida revelam a quem pouco conhece de nós, sobre quem nós realmente somos? Posso resumir em três linhas experiências lidas em um minuto o que vivi em semanas, que afinal será interpretado porque quem pouco me conhece como apenas um neurônio de trabalho ao cérebro, e nada mais; logo, viver não é existir.
Se existir não é viver, e viver não é existir, então o que é existência? E o que é vida?
Afinal, entendo que viver e existir não se correlacionam diretamente, já que ambos testes invalidam suas provas. Há momentos para viver, e há momentos para existir. Nenhum dos dois espaços amostrais representam o suprassumo do que devo querer para meus dias.
Amanhã eu acordarei e tudo se repetirá com uma caneca de café, organizar demandas, cuidar de meus gatos, ver postagens de amigos na internet, ler e talvez jogar, conhecer alguém e não obter respostas sobre o que essa pessoa faz quando vive ou existe e ir à academia - como toda e qualquer semana-feira. Mas hoje eu vivi ao encarar em palavras um abismo.



